sábado, 16 de março de 2013

Vamos Fugir.

Desejo de fuga, na mais intensa e expressa interpretação.
Fugir para bem longe bem perto de um ou de outro coração.
Sair do lugar comum, despertar, além-mar
para onde quer que for.

Entre o pulsar do tempo, em fendas estreitas no espaço,
qualquer lugar onde a sobriedade faça parte,
mas não seja essencial.
Qualquer lugar onde não se caibam julgamentos
sobre o bem e o mal,
ali aqui, em qualquer lugar, em qualquer estar,
só para estar.

Juntos ou sozinhos, os sonhos indo comigo,
os medos se esvaindo,
as lembranças em grandes malas em cadeados,
novas idéias e semblantes desenhados
nas paredes do meu particular.

Fugir para onde, para qualquer mesmo lugar.
Para onde o coração souber reconhecer
que ali só cabem eu e você.
Só eu e você.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

No fundo,
busca-se entender o presente
analisando o passado.
E na busca frenética por respostas,
acabamos com medo do futuro.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

To you, I hope.

I hope you'll let something grow on your new place,
I hope you can share some of your space,
I hope you'll let someone else tell you what to wear,
I hope you'll have money to travel anywhere,
I hope that at some point you'll see
that life goes on and nothing will change what we had here.

I hope you'll find someone nice to fulfill you
on the summer nights,
I hope you'll find some time to spend with the guys,
I hope you'll learn how to cook well,
I hope you'll feel free to pay me a visit in hell.

I wish you the best, my dear
Cause you're the best that I've ever seen.
I wish you all the joy, my love
Cause you're the best thing that happened to me.

I hope you'll swim anytime you want to,
I hope you'll jump around something and then into,
I hope you'll feel happy with my new engagement ring,
I hope the nex girl is not as thin as me.

I hope you'll like my new songs and rhimes,
I hope you'll be the greatest engineer alive,
I hope you'll buy that car of your dreams,
I hope, from the bottom of my heart,
you wont give up on your dreams.


I wish you the best, my dear
Cause you're the best that I've ever seen.
I wish you all the joy, my love
Cause you're the best thing that happened to me.


All I really want is that happiness be part of your life
and all the past we once shared
you can always rewind.
And maybe we'll be good weird friends,
with all the madness that never made sense.
You'll see.


segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Desapego, a gente vê por aqui.

Admiro quem pratica, de forma exemplar, o desapego.
Confesso que, ao longo dos anos, a vida foi ensinando à passos de formiga
e, muitas vezes, de maneiras nada gloriosas, que somos seres livres
feitos de matéria complexa e cabeça pensante. 
Espíritos leves e cheios de virtudes. 

Nada mais correto que se deixar viver, aproveitar as experiências,
colher aprendizado, extrair o máximo de coisas boas e, no fim,
entender que é importante deixar as coisas para trás e seguir em frente. 
Por que o mínimo que podemos fazer, nessa vida louca que Deus nos deu, 
é seguir em frente. Sempre. 

Desapegar do outro, dos outros, da vida que se foi, 
do cotidiano que se criou, das coisas nas quais depositamos expectativa,
dos sonhos que jamais realizamos, dos infortúnios, de muito do que se teve e que quase teve.
Aprendemos que se apegar é uma escolha, quase. 
E que, ao passo que vamos perdendo as coisas que amamos, 
vamos enxergando o desapego de maneira friamente natural. 

No fim das contas, o que fica são os lugares, alguns objetos, um momento, os detalhes...
Pequenos fragmentos do que já se foi e não voltará jamais. 
Desapegamos do cerne e nos deixamos lembrar ou sentir pelo pouco, o que dá sentido. 

Assim, o desapego não é uma coisa boa ou ruim.
É simplesmente, como dizem os mais sábios, 
a vida. 

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

São tantas as borboletas voando dentro de mim,
asas frenéticas que chegam a fazer cócegas.
Sempre que você passa por perto dos meus sonhos
ou do outro lado da calçada,
sozinho ou com sua nova namorada,
que, é de fato uma coitada,
por não saber, nunca saber
o quão incrível você é.

São tantos os vôos noturnos que faço
longas madrugadas sobrevoando idéias
sobre aonde você está e o que pode estar fazendo,
sentado na janela, ouvindo aquele som antigo de nós dois,
ou talvez escrevendo,
Mas quem sabe você está com sua nova namorada,
essa triste e pobre coitada,
que não sabe nada, nada
sobre o quão lindo você é.

E talvez você nunca saiba
nunca entenda o que eu posso oferecer.
Corrigir erros passados, me despedir de novos e velhos namorados,
me reformar, me refazer, tudo e muito mais, por você.
E ela talvez nunca vá saber, muito menos oferecer
tudo o que eu poderia ser para você.
Essa sua nova namorada, uma sortuda e invejada
pobre coitada,
que tem todo o ser humano maravilhoso que você é.


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

A verdade é que estou mais perdida do que pareço.
É incrível a capacidade que tenho de me auto enganar.
Mas, no fim das contas, o que importa?
Ninguém está aqui para me ver, me ouvir, me julgar.


segunda-feira, 22 de outubro de 2012

O que Restou


Quem sabe hoje
seja muito mais que ontem...
Tudo claramente exposto
sob a luz pulsante
do tempo.

As agonias do passado,
nada mais que sombras esquecidas de lado,
papéis amarelados no fundo do armário,
memórias seletivas, menores e melhores
do que jamais poderiam ser.

E o que restou nada mais é do que o mínimo de educação,
cortesia e pudor...
Mesmo que esse último seja o mais sem jeito,
uma vez que nada mais justo que mascarar sentimento
com prazer sem dor.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Rosa Menina

É certo que, se parasse para pensar, não teria saído tão desesperadamente da forma que sai daquela casa maldita, sem olhar para trás, sem perceber que acabei levando comigo o bem mais precioso que podia ter naquele momento: minha dignidade.

Fui-me embora sem me tocar que corri mais de alguns muitos quilômetros, com as vestes sujas e dilaceradas, cortes aparecendo dentre o vestido rasgado, os cabelos emaranhados e o suor impregnado até mesmo em meus lábios, que doíam.

Parei e me apoiei nos joelhos por alguns minutos. Ofegava bastante, sentindo o ar escapar dos pulmões.  Não havia sinal de perseguição, de maneira que me acalmei e continuei, cambaleando de cansaço e dor, até onde me desse na telha.

Sem perceber, acabei na porta de Marilac, desabando nas escadas da frente, deixando a dor dos músculos invadir e a lembrança quente daqueles momentos sem razão que acabaram de acontecer.

Acho que minha amiga ouviu minha queda proposital nos degraus e abriu a porta lentamente, para verificar quem podia ser e então, foi tomada de susto e preocupação:

- Joana? É você? Oh, Credo! Que houve?

Movi lentamente a cabeça, virando o rosto para ela e, sem conseguir dizer nada, entoei um choro magoado e cansado, em fúria.

Marilac me pegou nos braços e com a delicadeza e cuidado de mãe, me colocou em sua cama, deslizando as mãos sobre meu rosto, enxugando minhas lágrimas. Percebi que estava no lugar mais confortável do mundo e antes que deixasse minha amiga me convencer de que deveria comer algo e contar a ela o acontecido, mergulhei em um sono profundo e necessário. Deixei que o inconsciente tomasse conta, me inundando, a cada hora, de mais e mais esquecimento.

***

Já passava do meio dia de domingo quando senti o corpo todo doer e ouvi Marilac ao telefone, cacarejando para lá e para cá, tentando, das formas mais desesperadas, convencer o médico, Dr. Jackson Nogueira, a comparecer naquele recinto, o mais rápido possível. Constatei que a visita seria para diagnosticar meu estado, digamos, deplorável, a começar pela aparência de morta-viva.

Tentei levantar da cama em um esforço ridículo e sabia que de nada ia adiantar querer sair dali. Talvez fosse o melhor lugar para estar, visto que ninguém me procuraria, justamente por saberem que Marilac e eu não nos falávamos há mais de dez anos.

Ouvi seus passos e, quase na ponta dos pés, se aproximou da cama. Notou que eu já estava acordada.

- Chamei o Jackson aqui para dar uma olhadinha em você. Não conheço outro médico decente nessa cidade e, como somos amigos, ele concordou na hora.

- Mentirosa - disse, ensaiando um sorriso.

- Diga... que houve? Para aparecer em minha casa, ainda mais nesse estado, não foi nada bom.

Senti um enorme peso no peito, como se quisesse me livrar de todas as histórias podres e nefastas que podia lembrar sobre meu casamento de merda, sobre minhas noites em claro assistindo filmes antigos e chorando ao ver meu sangue pingando no chão, sobre minhas duas filhas que perdi em aborto, sobre as longas horas trancada no sótão daquela casa miserável, cheia de amargura e desilusão... sobre como senti a falta da minha única amiga, que sempre quis o meu melhor e desde o primeiro dia que conheceu Diego, disse: Não gosto dele. Não é bom o bastante pra você. Na verdade... Não é bom de jeito nenhum.

Tentei conter as lágrimas e puxei a mão de Marilac para perto e a apertei com força, de olhos fechados, como se para transferir minha dor àquele gesto.

- Sinto Muito - disse com os olhos cheios de lágrimas - Por todos esses anos, por tudo.

Marilac apertou meus dedos como se aquilo fosse o abraço longo e sentido que deveríamos ter tido naquele momento. Abaixou a cabeça em um suspiro e levantou o rosto banhado de lágrimas volumosas. Só nós duas sabíamos o peso daqueles anos distante uma da outra.

- Não precisa se desculpar. Não é hora disso. Conte-me o que aconteceu... Estou preocupada! Já se olhou no espelho? Jackson vai ter um treco quando ver você assim! Sabe há quantos anos ele não a vê? Acho que desde o dia em que o abandonei no altar... coitado... Enfim! Desculpe... estou nervosa... como sempre, falo pelos cotovelos.

Não percebi, mas estava sorrindo sutilmente.

- Sei que podem passar mil anos se quiser, mas jamais me sentirei desconfortável em falar nada a você, Lila. - chamava Marilac de Lila desde os cinco anos de idade, quando morávamos no interior - Já deve imaginar... É sobre Diego.

Marilac, que ainda estava sentada na ponta da cama, se deitou ao meu lado, abraçando um travesseiro e me olhando de lado, o rosto quase colado com o meu.

- Desembucha. Mas vou logo avisando que, se ele for a causa desses arranhões, vou chamar o Norões. - Norões Albuquerque era o delegado de polícia daquele muquifo de cidade. Nunca foi fã do meu marido, ainda mais depois que meu pai, antes de morrer, prestou a primeira queixa de maus tratos, diretamente à Norões, que tratou de dar uma surra encomendada em Diego.

- Não chame. Agora que é rico, Diego iria mandar matá-lo. E dessa justiça torta não quero fazer parte. Mais do que já faço... Há muito para contar, Lila. Anos de tristeza que nunca pensei acabar. E, nesse momento, sinto que posso ter uma nova chance. Recomeçar. Sai correndo da mansão e vim parar aqui, sem saber. Foi o destino... ou meu anjo, que me guiou até você.

- Foi não, Joana. Foi instinto.

*** A Continuar...



quarta-feira, 25 de julho de 2012

Rodas de Luar


Sussurros ao longe,

vozes indefinidas,
longas conversas às escuras,
pelos becos sem saída.


Janelas da alma que se manifestam,

eternos relicários que se renovam,
sonhos e mistérios que nos embalam devagar,
são muitos os momentos, motivos e devaneios,
 dessas rodas de luar...

E os poetas rimam,
os profetas pregam,
as pessoas mudam 
e o tempo passa...
Os bares continuam cheios 
e a boemia continua farsa...


Mas os loucos, esses ainda uivam,
toda a sua estigmada e triste imaginação,
enquanto embalam madrugadas acordados, 
em longas conversas estranhas, 
na escuridão. 

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Um pequeno incentivo.

É um clichê barato e viciado, mas não há nada mais certo do que lutar por aquilo que acreditamos.
Não importa que nos digam que estamos errados, que nos magoem com palavras duras e mentiras, que nos puxem para baixo e não nos incentivem.
Não importa que nos invejem, que nos tirem a força, que nos desmotivem...
Não importam aqueles que nos tiram do nosso caminho.

Quando acreditamos em algo, precisamos seguir em frente, sem medo, sem angústia, sem vergonha.
Somos aquilo que somos e lutamos por nossos sonhos, por mais inalcançáveis que possam parecer.

Speak your mind, erga-se diante daquilo que você acredita, arrisque e conquiste.